Caixa preta encena ou em cena?

Aproximando-se nossa pausa semestral, colocamos em pauta o momento de espairecimento, ou melhor, fazemos um convite à você para que nos acompanhe em uma visitação “com outros olhos” ao mundo das artes cênicas no contemporâneo!!

Basta um pouco de imaginação, força de vontade e voilà!!! Está pronta uma obra magnificente!”

DETAL, Errado Fulaninho

Para que algo tal frua da cabeça aos olhos de quem, assim como nós, se coloca frente a um palco, direção, roteiro, figurino, produção executiva e mais um mundo de outros títulos se fazem necessários à realização de uma “obra magnificente”.

Mas pensa que acabou? rsrs (risos nervosos ao fundo da platéia) Não acabou não!! Concomitante à toda essa estrutura estratosférica que é o mercado de produção teatral, temos as novas possibilidades de consumo e produção desta arte; trataremos então nessa publicação deles, os recursos de Realidade Aumentada (AR), Realidade Virtual (VR) e seus correlatos aplicados em cena.

MAS QUE BICHO É ESSE?

Bem, de toda maneira precismos sermos apresentados aos nossos pares… Os recursos de realidade aumentada e virtual podem ser traduzidos como atividades onde elementos da ordem real (tangível) são integrados à elementos virtuais. Esse embricamento de dados torna possível um processo de convergência da linguagem sensível, especialmente quando ligamos tudo isto aos nossos pontos chave de hoje: a cena e uso de tecnologias do contemporâneo,

Em síntese, as produções que inserem a AR/VR são passíveis não somente de atingir sua platéia das formas antes já vistas, tal a ativação da catarse emotiva e política, pela visão, audição e afins. Revela-se uma capacidade que pode realmente TOCAR nossos sentidos, já que há um sequenciamento de várias células técnicas interdisciplinares, estas reúnem possibilidades tais processamentos de sinais, visão computacional, computação gráfica dentre outras.

O ponto é: no processo de produção e montagem destes espetáculos, independente da duração, precisa-se estipular alguns pares de ação-resposta: aí que vem a receita do bolo, ou melhor, os passos pra resolução de um problema: a programação algorítmica.

Os algorítmos são sequências finitas de instruções que vetorizam a realização de tarefas, incluindo a repetição e/ou assimilação de passos e interações, e seu uso em cena nos espetáculos de dança e teatro tem atraído olhares atentos e curiosos.

Abrir a caixa preta e questionar a “visão de mundo” através de artifícios tecnológicos outros que não ou já instrumentalizados pelo circuito de arte é o um novo mote: “O recurso utilizado em Algoritmo é o da realidade aumentada. Este recurso nada mais é do que a integração de informações virtuais (imagens, vídeos, modelos 3D, entre outros) e como elas são visualizadas”, conta Rogério Lima, programador de software e responsável pela arte digital do espetáculo teatral Algoritmo.

Platéia assistindo a peça “O pai” com auxílio de óculos de realidade aumentada Gear VR

Óculos de realidade aumentada, com transcrição em tempo real, QR-Code e conexões através de aplicativos de Smartphone são exemplos de aplicação dessas novas tecnologias, essas que são programadas em “linguagem arte-algorítmica”, com a licença dos que me leem, rs. De toda maneira, essas interações entre ações e respostas são variáveis de acordo com o uso projetado e o seu revés, o executado. Logo a demarcação da “instabilidade algorítmica” se faz presente.

Vídeo Cena: ATO 1 – ALGORITMO – Imagens em realidade aumentada

“O conceito de algoritmo permite pensá-lo como um procedimento que pode ser executado não apenas por máquinas, mas ainda por homens ampliando seu potencial de acuidade associada à personalização”.

Elisabeth Saad, 2012; Daniela Bertocchi, 2012

Também se faz necessário (e justo) pensar que a produção de conteúdos no contexto artístico – ainda que se aproprie de ferramentas e softwares, é fruto do pensamento subjetivo de toda essa cadeia técnico-criativa. Desta forma, o algoritmo presente no recurso de realidade aumentada, em questão, é fruto também de um enviesamento que tem por base o conceito da apresentação.

A utilização dos algoritmos na produção de espetáculos artísticos não é algo tão usual quanto a utilização do mesmo em plataformas de distribuição de músicas ou filmes, a exemplo da Netflix, mas isso é assunto pra outro dia…

chegando lá…

É possível considerar que o algoritmo, na exibição de um espetáculo, assume o papel de complemento na transposição da poética da direção teatral, o que podemos suscitar como um grande desafio ao suposto rigor incutido no desenvolvimento de tecnologia. Afinal, a caixa preta encena ou está em cena?

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